cósmico

no lugar dos olhos
ela tinha
duas bolas de sol
e o resto do corpo
incendiado em labaredas
quando a noite
abrandava
estrelas escorregavam
pelos cabelos
e os dedos
pintavam o universo
com a cor da
i n c o n s c i ê n c i a 
e toda a solidão
do mundo
inquietava-se
dentro dela.

cósmico

mergulho

que a liberdade seja a minha essência, a minha própria substância vital. libertar-se de quem se é – ou da ideia forjada dessa persona – no entanto, é doloroso. é como se arrancassem a sua pele e deixassem a sua carne exposta.
um tanto frágil, sensível e suscetível a tudo o que há de chegar. mas nova. recém descoberta. apenas uma das belezas desse desabrochar de si.
lá no fundo dessa casca oca, que fatalmente entendemos como “eu sou”, há uma voz que nunca se cala. e é essa tal de inquietude que nos move, sem um caminho pré-estabelecido [ainda bem].
a voz sussurra abafada: “a gente sempre sabe o que quer. só temos medo de mergulhar fundo demais”.
e aí, não adianta só molhar os pés… é preciso se afogar.
por isso, eu me liberto para dentro de mim. aqui mesmo, onde cabe o universo inteiro.

mergulho

fagulha

eu prefiro amor em brasa
que queima

d
e
v
a
g
a
r

à combustão das paixões
que murcha, consome e míngua
antes que eu possa apreciar
todos os seus sabores

mesmo porque
quando a paixão acaba
o que sobra
é o amor

que equilibra, renova, preenche,
t       r      a      n      s      b      o      r      d      a
e te põe frente a frente com você

mas, antes disso tudo,
te desmonta, desencontra, confronta,
arde sem incendiar

e te coloca em seu lugar
que é dentro de você mesmo
sabia?

fagulha

lavra

do que tange cada estação
esse sereno desabrochar da vida
do coração, fruta carnuda e doce
que embala e semeia

a terra fértil
e o sol cálido
o ar rarefeito
e o céu plácido

sigo e cultivo o meu amor
colhendo o que você planta
sua semente;
minha lavoura;
nossa natureza;

desfaço em pequenas pétalas
e me abro em flor
em forma;
em canto;
encanto;

com você
aqueço, derreto, desmancho
V e R t I g I n O s A m E n T e
e me encontro
com a melhor versão de mim

lavra

infinitas possibilidades

​o que significa a primeira página de um caderno nunca usado antes?
tem gente que debulha o coração em palavras no papel, enquanto outros ensaiam antes de escrever, e alguns planejam a vida em tópicos.

para mim,
pode ser o início para novos desafios ou recomeços incontáveis.
um dos primeiros passos para o desconhecido – aqui em folha tão ampla e tão cheia de nada
esperando para ser desbravada com tudo aquilo que já não cabe mais do lado de dentro.
e escorre em tinta de caneta.

é traçar o destino e bordar a vida
com o mais orgânico dos ingredientes:
o melhor de nós mesmos
recheado de amor, sempre
para todas as ocasiões.

infinitas possibilidades